terça-feira, 16 de maio de 2017

Vamos comprar pão!


A dieta mediterrânica, Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, é considerada das dietas mais saudáveis do mundo, combinada com a atividade física. 
Portugal está longe de ser banhado pelo mar mediterranico, no entanto é (ou será era?!) bastante influenciado pelos princípios desta.

Atualmente, vários estudos, apontam para a adoção de uma dieta ocidental, elevada em níveis energéticos, gordura saturada, colesterol e açúcar, alimentos processados, refrigerantes, doces, ovos, salsichas e fast food. 
Segundo o estudo Trends in dietary intake in Portugal, citado no estudo de Inês Ventura da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentção, Universidade do Porto, houve um aumento de 2700kcal/dia em 1996 para 3700kcal/dia em 2003.

https://www.alimentacaosaudavel.dgs.pt/activeapp/wp-content/files_mf/1444921236ebookdietamediterranicaapncopia.pdf

O pão é uma das formas mais comuns e antigas de comer cereais que remonta a 4000 a.C. no Egipto. 
Segundo o estudo referido anteriormente, o consumo de pão assume um papel de relevo, nomeadamente o pão de trigo ou pão branco. Em Portugal, a média de consumo diário por pessoa é de 3 pães, as panificadoras aumentaram a produção de pão branco de 232 279 toneladas em 1995 para 244 465 toneladas em 2006. 

Para responder a este aumento abrupto e consequentemente às necessidades da população, teve de haver um maior aumento na produção do trigo. E como é que isso foi possível?! Obviamente, modificando o trigo genético para criar produções altamente rentáveis. E está é a grande diferença porque o consumo de pão branco tráz tantos malefícios para a nossa saúde, este trigo muito pouco tem do trigo do tempo dos nossos avós ou do Egipto. 
Porque é que não se impede este crime contra a saúde?? Porque a produção de cereais é um dos negócios mais rentáveis em todo o mundo!!! E ninguém quer perder dinheiro, mesmo que isso implique graves consequências na saúde a longo prazo.

Antigamente, o trigo atingia mais de 1 metro de altura

Atualmente, tem pouco mais de 50 centímetros e uma cabeça gigante

Cabe-nos a nós, procurar opções mais saudáveis de consumo, longe do trigo e mais semelhantes aos cereais de antigamente. Tais como, alfarroba, espelta, kamut, centeio, milho, quinoa, entre outros. Este pães são mais caros mas a nossa saúde não se traduz em euros, portanto acho que é um gasto considerado fundamente e indiscutível. 
Mas MUITA ATENÇÃO!!! Felizmente a população tem vindo a mudar os hábitos e a estar atenta a vários pormenores, até porque a intolerância ao glúten aumentou significativamente. As panificadoras não podiam continuar a perder clientes e dinheiro, logo se modernizaram e apareceram os pães de centeio, integrais e de alfarroba ( os mais comuns de encontrar ) e nós ficamos todos contentes a achar que estamos a comprar um pão saudável para nós e a nossa família. 

Se forem à padaria da terra com o senhor(a) simpático, quantos de vós têm acesso à lista de ingredientes?! E se perguntarem, ainda vos olham de lado, porque eles é que são os entendidos no assunto e mandam umas larachas de que agora não dá para usar outro tipo de farinhas, é tudo igual e blablabla. 
Ontem fui ao continente, porque considero o pão de centeio da baviera minimamente aceitável mas, ontem já não havia. Acabei por comprar umas carcaças individuais de centeio baviera e um pão de alfarroba. Quando verifico a etiqueta que diz os ingredientes, adivinhem qual é o primeiro ingrediente em ambos?! FARINHA DE TRIGO!!! E sabem qual era a percentagem de farinha de alfarroba?! 6%!! Sim, 6%!!! Isto nem sequer devia ser permitido ser considerado pão de alfarroba, uma vez que 60,6% era farinha trigo. 

Os ingredientes estão sempre por ordem decrescente de quantidades, ou seja, o de maior quantidade está primeiros e os restantes têm cada vez menos quantidade. 
Existem algumas dicas para diferenciar o pão: quanto mais escuro e menos fofo, mais puro será o pão em cereais integrais. Lembrem-se: verificar SEMPRE os ingredientes. 

Ontem decidi que vou confeccionar o meu próprio pão sempre que possa. Não é assim tão difícil e pelo menos sabei melhor aquilo que estou a comer. 
A maioria das crianças come diariamente cereais ou pão ao pequeno almoço, imaginem o impacto que terá na saúde a longo prazo: aumento das doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, risco de desenvolver determinados tipos de cancro, entre muitas outras. Acredito que queiram o melhor para a vossa família, não se acomodem!!! Aprendam, leiam muito, investiguem e acima de tudo tomem as decisões certas. 

Fiquem atentos porque vou partilhar convosco as minhas receitas de pão. 


Se quiserem saber mais sobre o estudo da Inês Cipriano sobre o consumo e preferencia de pão: Trabalho de Investigação. Pão: hábitos de consumo e preferências

Se quiserem saber mais sobre a dieta mediterranica, em que consiste e como foi desviada da nossa dieta: Dieta Mediterrânica: um padrão de alimentação saudável - Direção Geral da Saúde

Boas compras e boas leituras 😘

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